Guedra
Ritual de transe do “povo azul” do deserto do Saara, que se estende desde a Mauritânia até o Marrocos, todo o caminho até o Egito. Mas traçam místicos símbolos espalhando amor e paz, agradecendo a terra, água, vinho e fogo, abençoando todos os presentes em espírito e em realidade. É a combinada com a dança de noivado de Tissint.
O guedra é uma dança sagrada tuareg. Em árabe Guedra é também o nome de um pote para cozinhar, ou caldeirão, que os nômades carregam com eles por onde vão. Este pote recebia um revestimento de pele de animal, que o transformava em tambor;
O ritmo guedra de acordo com Morroco poderia ser comparado ao ritmo Bulerias do Flamenco, pois tem um padrão rítmico similar. Não é tradicinalmente tocado pelo derbak ou tabla, e nem possui os agudos taks que estamos acostumadas quando se trata de musica árabe para dança.
Diferente de outras danças de transe do Oriente médio, como o Zar e Hadra, não envolve o exorcismo de demônios nem tampouco a matança de animais. É puramente uma dança de purificação e felicidade. Os movimentos são simples, mas como em todas as danças de transe, você precisa se soltar, e permitir o envolvimento total para que de fato a experiência tenha fundamento. A questão é que as danças de transe de fato funcionam, e induzem a um estado alterado de consciência, que pode e deve ser sentido por aqueles que a experimentam.

Origens dos Tuaregs
As origens dos Tuaregs, se perdeu, como outras tribos berberes, ao longo da antiguidade. Estudiosos tem afirmado ter encontrado, práticas cristãs e pagãs em seus costumes, ainda que hoje em dia os Tuaregs sejam muçulmanos. Guedra utiliza canções muçulmanas como suas canções, mas isso tem obviamente outras associações. A cultura Tuareg hoje em dia tem sido irrevogavelmente prejudicada pela situação política, a qual tem divido o grupo em diversas áreas sob o controle de diferentes governantes.
Os tuaregs são apenas uma das tribos berberes. O povo azul é um subgrupo dos Tuaregs. O povo azul pertence ao Grupo dos Tuaregs, mas nem todo tuareg faz parte do povo azul. Eles são chamados assim por serem de fato azuis. Usam um tecido que é tingido por um processo envolvendo a trituração do pó de anil nas roupas através da sua esfregação nas pedras deste material.
Como os povos do deserto não tomam tantos banhos assim, este pó azul acaba sendo esfregado em sua pele e ai se deposita. De fato eles acreditam que esta cor azul é benéfica e também tem um efeito estético. Aparentemente ajuda na hidratação da pele.
Os tuaregs não se referem a si próprios como Tuaregs, porque consideram o termo pejorativo. Eles se auto definem “ Povo do Véu” ou Kel Tagilmus, por conta do hábito que os homens Tuareg tem de usar um tecido sobre a cabeça, a partir de certa idade enquanto as mulheres permanecem descobertas.
Eles tem uma influência matriarcal bastante forte em sua cultura. Os homens chefiam e ocupam posições de conselho, mas a liderança é hereditariamente passada através da mulher. Herança vem pelo lado da mãe, e um homem que se case com alguém que é de fora de sua tribo, deve se mudar para a tribo de sua mulher.
Um homem pode ter mobilidade social, ao se casar com uma mulher que tem um status superior mas as mulheres raramente se casam com alguém que tem uma situação inferior a dela. Os homens Tuareg são reconhecidos como sendo dos mais ferozes guerreiros no deserto, e também como ótimos comerciantes. A posição das mulheres Tuareg em sua estrutura social é absolutamente única.
Casamento Tuareg e a corte
Esqueça qualquer comentário que possa ter escutado acerca das dançarinas Guedra como prostituas, a verdade é que em sua cultura, de acordo com Morroco, é considerada uma vantagem o fato de ter experiência sexual- ambos, homens e mulheres tem muitos amantes antes de se casarem.
O respeito e liberdade dados a mulher Tuareg, é por vezes mal interpretado, pelos membros de outras tribos que são muito mais restritivos com suas mulheres. Onde existe prostituição , ela é fortemente condenada pela sociedade tuareg.
Antes de se casar, as mulheres gozam de liberdade e podem aproveitar a vida como melhor lhes pareça. Elas geralmente não trabalham, mas dançam cantam, e escrevem poemas. Dentro da sociedade Tuareg, existem basicamente duas classes sociais, uma classe mais nobre, e a classe dos escravos.
Em alguns grupos esta relação se estabelece por herança ligada a status. As mulheres nobres que possuem escravas, fazem o menos possível, ou absolutamente não trabalham.
Elas fazem queijo e manteiga, ordenham cabras e colhem tâmaras. Tem que aprender a trabalhar com couro, mas são os homens que demonstram maior habilidade com agulhas, e a costura de roupas.
Diferente de suas vizinhas, as mulheres Tuareg podem escolher seus maridos, os homens podem ter mais de uma mulher, mas raramente fazem uso deste direito. Danças de corte são comuns, e uma das formas, de conhecer pessoas.
A noiva tuareg, retém o controle sobre toda a sua propriedade pessoal, incluindo a criação, se tiverem animais em cativeiro, enquanto é esperado do homem que pague as despesas da família. Depois do casamento é esperado um comportamento de respeito de ambos os lados.
A mulher pode ter amigos de ambos os sexos, de uma maneira similar a cultura ocidental. Um provérbio tuareg diz Homens e mulheres devem ser um para o outro como os olhos e o coração, e não apenas para a cama.
GUEDRA: Um questionário By Karol Harding, a.k.a. JOYFUL DANCER ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , revised 10/29/96)
Autora: Lulu Sabongi, a maior referência em Dança Oriental no País, profissional com 27 anos de carreira nacional e internacional.
Fone: (11) 5539-5092 Site: www.lulusabongi.com.br







